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ADM
3 de set. de 2010
Carvalho se diz surpreso com críticas pela atuação na Bahia

Aos olhos do torcedor e da crítica, Wilson Matias ainda pode estar distante do futebol de Sandro, vendido ao Tottenham. Mas para a direção e Celso Roth há exageros nas contestações ao volante. Por isso, ele seguirá ganhando chances para comprovar que é mesmo "espetacular", como definiu o vice de futebol Fernando Carvalho.
Ontem, ao desembarcar em Porto Alegre, o dirigente declarou-se espantado com o tom das avaliações sobre o volante buscado no México.
– Li as críticas, mas estou surpreso. Acho que ele fez uma baita partida contra o Vitória. A bola sai redonda do pé dele. É ele o cara para o lugar do Sandro. Falta apenas uma sequência de jogos que o encaixe no time. Vocês verão: é o jogador para o lugar do Sandro – afirmou Carvalho.
Para defender o jogador, que fez sucesso no México pelo Morelia, o dirigente usará uma palavra mágica aos ouvidos do torcedor: Guiñazu. Adotará o exemplo para cortar pela raiz as desconfianças sobre Matias. Segundo Carvalho, Guiñazu também padeceu do mesmo mal dos cartões em excesso quando chegou. Até se enquadrar ao ritmo do futebol brasileiro e se adaptar ao país, sofreu com advertências. Matias é brasileiro, mas saiu do Ituano direto para o México. Passou cinco anos lá até ser redescoberto por Carvalho. Deixou o Brasil com 21 anos. Está com 26.
– O Guiñazu, quando chegou, sofreu um pouco com os cartões. A arbitragem aqui muda muito a cada jogo. E o futebol é muito diferente. É preciso dar um tempo a ele (Matias) – pediu Carvalho.
Além da manifestação de apoio a Matias, a direção do Inter também festeja a permanência de Kleber. As sondagens do futebol árabe não satisfizeram o investidor Delcir Sonda, dono dos direitos do jogador. O Inter prorrogará o contrato, que termina em junho e deve reajustar o salário. A avaliação do clube é de que Kleber é fundamental para o time no Mundial.
– É uma grande notícia para nós – saudou Matias, grande amigo de Kleber. – Ele não me confirmou nada ainda, mas fala como se fosse ficar.
Entrevista: Wilson Matias
Zero Hora – Como você recebe as garantias da direção e do técnico de que seguirá titular?
Wilson Matias – Fico muito grato. Passei por situação parecida no México. Também recebia muitos cartões no começo. Mas depois fiquei mais de ano sem ser expulso e com poucas advertências. Não se trata de questão técnica.
ZH – Por que tantos cartões?
Matias – Pela adaptação ao futebol brasileiro. Não sou violento. Nunca fui. No México, os árbitros passaram a me conhecer e perceberam que não sou maldoso. Lá eu era conhecido. Isto ajudava na hora de analisar uma falta.
ZH – Qual a sua avaliação técnica: você está jogando bem?
Matias – Não estou bem como no México, mas também não estou tão mal como alguns dizem. Preciso de sequência de jogos para entrar no ritmo do time. Me sinto numa crescente. Só preciso dar uma controlada nos cartões. Vou evoluir, tenho certeza.
ZH – A história do “espetacular” te atrapalha ainda?
Matias – O Fernando Carvalho é muito respeitado aqui. Ele me chamou de espetacular, e agradeço. Mas digo que não sou. Espetacular é estar aqui, no Inter.
Sinal amarelo
Matias jogou 14 partidas no Brasileirão. Levou seis cartões amarelos e tem uma expulsão, por dois cartões contra o Avaí.
Se não for Matias...
Glaydson
É quem mais ameaça a estabilidade de Matias. Voluntarioso, joga em várias posições, mas tem dificuldades no arremate. Tem 31 anos e 1m78cm.
Derley
Voltou do Náutico, onde estava desde 2008. Tem 24 anos e 1m87cm. É bom no desarme, marca forte, mas ainda precisa melhorar a chegada à frente. Correspondeu quando entrou neste Brasileirão.

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